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Segunda, 23 de novembro de 2015, 06h00 | Tamanho do texto: A- A+

REPORTAGEM ESPECIAL

Consciência negra - Mais respeito, mais igualdade e menos preconceito

NARA ASSIS
Rádio Paiaguás-MT

BG – Roda de capoeira
O Brasil ainda era colônia de Portugal quando a capoeira surgiu, no século XVI./ Os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores./ Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta./ Eles adaptaram, então, o ritmo e os movimentos das danças africanas, a um tipo de luta./ Em 26 de novembro de 2014, a UNESCO, Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, declarou a roda de capoeira patrimônio imaterial da humanidade./ Hoje, ela é praticada em mais de 180 países.//
Este é apenas um dos inúmeros símbolos da luta dos negros pela liberdade./ São fatos importantes que ajudaram a construir a história do Brasil e que são lembrados no Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro./ A data foi instituída oficialmente em 2011, e faz referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, ocorrida em 1695./ Uma das formas de garantir que este legado não se perca é fortalecer a implementação da Lei Federal, de 2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas de ensinos Fundamental e Médio de todo País.//
Em Mato Grosso, por exemplo, a Secretaria de Estado de Educação publicou uma Nota Técnica, este ano, determinando o cumprimento da Lei./ A superintendente de Diversidades Educacionais da Seduc, Gonçalina de Almeida, acrescenta que a formação dos profissionais da educação é outro instrumento importante para que a temática seja trabalhada de forma adequada.//


SONORA 1 – Gonçalina de Almeida



Rafaela Correia tem 16 anos e cursa o 1° ano do Ensino Médio na Escola Estadual Leovegildo de Melo, em Cuiabá./ Junto com a turma, ela desenvolveu o projeto “Brasil bem brasileiro”, com apresentação de desenhos e estudos sobre a cultura afro-brasileira./ A estudante afirma que considera fundamental que o assunto seja abordado em sala de aula constantemente.//


SONORA 2 – Rafaela Correia


Mato Grosso supera a média nacional em número de habitantes afrodescendentes./ Segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, este percentual é de 60% no Estado, enquanto em todo o País, 51% da população se autodeclaram negros./ Em Cuiabá, a maioria da população é negra, com registro de 55%.//


A doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense e professora da Universidade Federal de Mato Grosso, Cândida Soares da Costa, defende que o combate ao racismo é feito com políticas públicas que reconheçam a importância da população negra.//


SONORA 3 – Cândida Soares da Costa


Vários segmentos da sociedade, inclusive o Movimento Negro, conquistaram maior espaço nas discussões e decisões políticas com a redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988./ Em 1989, por exemplo, entrou em vigor a Lei que definiu os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.//


A presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Antonieta Costa, reforça que o Dia Nacional da Consciência Negra deve ser um momento de reflexão sobre o avanço das políticas públicas e o resgate da história de luta do povo negro.//


SONORA 4 – Antonieta Costa


A intolerância religiosa, movida pelo preconceito, também está entre as lutas do movimento negro./ A Polícia Civil de Mato Grosso criou, em agosto deste ano, um núcleo específico para investigar crimes desta natureza no Estado./ Esta era uma demanda antiga, principalmente de membros de centros espíritas, umbanda e candomblé./ A Constituição Brasileira estabelece liberdade a cultos religiosos e quem ofende esse direito fica sujeito à detenção de um mês a um ano ou multa.//


O presidente da Federação Nacional de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros, Aécio Montezuma, informa que o órgão busca o respeito às Leis que garantem a liberdade religiosa, por meio de articulação junto ao Senado Federal.//


SONORA 5 – Aécio Montezuma


O Brasil está entre os países que se comprometeram a combater toda forma de discriminação em tratados internacionais de Direitos Humanos./ O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Marcio Dorilêo, frisa que a busca pela igualdade racial é uma responsabilidade do Governo e de toda a sociedade.//


SONORA 6 – Marcio Dorilêo


BG – Grupo HOP Quilombola


As comunidades quilombolas têm importante papel na luta pela conservação das tradições afrodescendentes./ Segundo dados do Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Mato Grosso possui 70 comunidades remanescentes de quilombos, distribuídas por 21 municípios./ Só na comunidade Mata Cavalo, localizada em Nossa Senhora do Livramento, distante cerca de 50 km de Cuiabá, vivem aproximadamente 500 famílias./ A professora Lucilene Ferreira dá aulas de dança aos alunos da Escola Estadual Tereza Conceição de Arruda e jovens da comunidade quilombola./ Ela salienta que esta representação artística é uma maneira de manter viva a história da resistência negra.//


SONORA 7 - Lucilene Ferreira


Reflexão e conscientização é o que se espera do 20 de novembro./ Reconhecer a importância dos africanos escravizados e de seus descendentes na formação social do Brasil é fundamental para que haja mais respeito, igualdade e menos discriminação.//

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